Especial Scorsese: 75 anos

Neste dia 17 de novembro de 2017, o cineasta Martin Scorsese completa 75 anos, com facilmente mais de 50 anos dedicados ao cinema, estudando e repensando a forma de pensar. Seus filmes marcaram uma geração e continua sendo relevantes para qualquer cinéfilo. O seu entusiasmo ao falar sobre cinema contagia qualquer um, mesmo estando a quilômetros de distância. Por tudo isso, o blog Goodfellas presta uma homenagem a esse que é um dos grandes autores da história do cinema. Boa leitura!

O dia em que eu conheci Martin Scorsese

Era um sonho. Desses que faz até você escolher uma profissão sabendo que através dela poderá ser mais fácil de atingí-lo. Não passou pela minha cabeça que a escolha de cursar Jornalismo serviria para, quem sabe um dia, estar frente a frente com uma das mentes mais brilhantes que o cinema tem o prazer de ter. Mas enquanto o avião descia para pousar no aeroporto de LaGuardia, em Nova York, tudo começou a fazer sentido. Eu havia estudado quatro anos na faculdade de Jornalismo para chegar àquele momento: o de entrevistar Martin Scorsese.

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Temas comuns aos filmes de Scorsese

Violência, crime e gângsters são assuntos que aparecem na maior parte dos filmes de Martin Scorsese. Mas o seu cinema é muito mais profundo que isso e revela outros temas que compõe o que o torna um diretor tão fascinante. Em sua infância, Scorsese era um menino retraído e morador do bairro Little Italy, onde ele assistia através da janela da sua casa todo o tipo de problema. E ele cresceu tentando compreendê-los, levando essa experiência para os seus filmes com extremo vigor e performance artística.

Embora a violência, carregada pela máfia italiana, esteja tão presente nos filmes, é impossível comentar sobre eles sem falar em religião, fé, moralidade, isolamento e uma tentativa de substituição da figura paterna que, no fim, sempre acaba terminando em tragédia. Observar esses temas em seus filmes é como conhecer Scorsese como ser humano, tão cheio de questionamentos e conflitos quanto os próprios personagens que retrata.

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Os Bons Companheiros

Os Bons Companheiros foi costumeiramente chamado pela crítica de “o filme mais realista sobre a máfia de todos os tempos”. Completados 25 anos do lançamento no dia 21 de setembro de 2015, quando ganhou uma versão completamente restaurada, o filme dirigido por Martin Scorsese se transformou no clássico que naquela época alguns já apostavam que seria. Mas essa não era uma clara evidência.

Durante os testes de estúdio de Os Bons Companheiros, houve relatos de pessoas abandonando a sessão e da plateia ter ficado, como um todo, extremamente agitada com as cenas que viram. Quando estreou, no entanto, Os Bons Companheiros deixou a sua marca de sucesso de bilheteria e aclamação por toda a crítica que no fim lhe rendeu seis indicações ao Oscar. Deveria ter vencido como Melhor Filme, perdendo para Dança com Lobos, mas premiou o ator Joe Pesci com a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante, e por redefinir um gênero que, desde então, nenhum outro filme conseguiu superar.

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Seus filmes sob o olhar da cinematografia

A parceria entre diretor-fotógrafo deve ser uma das mais essenciais para fazer o filme dar certo, em qualquer nível. As visões dos dois precisam estar alinhadas para juntos criarem a linguagem do filme, o humor, o estilo e todo o resultado que acabamos assistindo na tela. Grandes diretores se notabilizaram também pelo bom relacionamento com um diretor de fotografia responsável por colocar a visão do cineasta em cada quadro.

Com Martin Scorsese não foi diferente, é impossível falar dos filmes de Scorsese sem citar a força das imagens de Touro Indomável (Michael Chapman), Os Bons Companheiros (Michael Ballhaus), O Aviador (Robert Richardson) ou Silêncio (Rodrigo Prieto). Cada uma das obras fotografadas por esses diretores é um modo de enxergar a visão de Scorsese para a sua narrativa, sendo também um passeio pela própria história do cinema. Em cada detalhe de um quadro, Scorsese e o seu diretor de fotografia deixaram a sua marca.

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Quatro elementos visuais marcantes em seus filmes

Cada filme do diretor Martin Scorsese é cuidadosamente criado para que cada cena tenha o seu próprio ritmo, estabelecendo um diálogo que cria a composição entre o que está sendo contado e elementos como edição, som e câmera (fotografia).

Se tem algo que Martin Scorsese gosta de fazer é ensinar para plateias jovens toda essa visão que ele tem sobre os filmes (sejam dirigidos por ele ou não). Por isso, em 2013, ele foi chamado para a aula inaugural do John F. Kennedy Centre da qual ele intitulou como “Persistence of Vision: Reading the Language of Cinema” — trívia: ele foi o primeiro cineasta a falar nesta aula desde a inauguração em 1972). Leia mais…

Nesse evento ele comentou sobre os quatro elementos que guiam o seu trabalho, ouça um trecho abaixo.

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