‘The Deuce’ retorna para 2ª temporada com mais espaço às histórias femininas

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The Deuce retornou esta semana para a 2ª temporada na HBO. A série criada por George Pelecanos e David Simon (responsáveis por The Wire) volta para dar continuidade à história de um grupo de pessoas tentando sobreviver em Nova York no fim dos anos 70, isto é, no auge do caos, do abandono e da desordem social. Ao pular cinco anos entre o fim da 1ª temporada e o início deste novo ano, The Deuce questiona a liberdade extrema e sem limites da cidade.

Esse se torna o ponto de partida no episódio “Our Raison D’Etre”, quando o corpo de um turista é encontrado no meio da Times Square. A polícia acredita que tenha algo a ver com uma manifestação da ‘Beatlemania’ que estava acontecendo na cidade. O policial e recém-promovido a detetive, Chris Alston (Lawrence Gilliard Jr.), porém, tem uma outra teoria para justificar a sua morte, porque ele sabe o quão atrativa a noite na cidade pode ser. E não por acaso, em uma cena adiante ele aparece buscando a sua namorada no Hospital que ela dá plantão de madrugada.

Essa é uma das belezas de The Deuce – e de praticamente todas as séries com a assinatura de David Simon. O retrato não é apenas cru e visceral, como também a sua capacidade de deixar os personagens direcionarem o que acontece com a sua história mostra a importância que ele dá ao roteiro, aos diálogos e às decisões que são tomadas por eles. Candy (Maggie Gyllenhaal), por exemplo, está decidida quanto à sua carreira como diretora de filmes pornôs, tendo que lutar contra o establishment definido por homens que pensam apenas no prazer de si mesmo.

  • Foto: Divulgação/HBO
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Com o pulo de cinco anos, vemos Candy bem mais sucedida; Darlene (Dominique Fishback) se preocupando com o seu futuro e estudando; e Abby (Margarita Levieva) gerenciando um dos negócios de Vincent (James Franco). O primeiro episódio nos obriga a praticar esse exercício de sabermos onde os personagens estão. Contudo, o mais importante em The Deuce é compreender que as mudanças em cinco anos refletem diretamente no comportamento dos personagens. Como explicar o movimento punk, por exemplo? Vincent não compreende como as pessoas gostam daquilo – mas ele próprio não está preocupado com esta mudança porque ele não enxerga a importância do movimento. E nem enxergará.

Nós, como audiência, sabemos que muitas das mudanças trazidas por The Deuce definiram o futuro do mundo como vivemos hoje. E é nesta provocação que a trama também direciona o seu olhar. O primeiro episódio ainda não se abriu para novas tramas ou qual será o tema principal da temporada. Entretanto, David Simon e George Pelecanos deram pistas do que The Deuce deseja contar. E talvez a principal delas (e a que mais me agradou) é deixar as tramas das personagens femininas mais em evidência enquanto a máfia, Vinnie e Frank se movem para o segundo plano. Uma decisão que, convenhamos, é mais do que acertada.

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/HBO]

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