‘The Americans’ exibe final tenso, doloroso e brilhante

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O final de The Americans é aquele o qual todo fã, que ficou apreensivo sem saber se a série encontraria um desfecho que fizesse jus à sua grandeza, sonhou em assistir (e foi ainda melhor). O episódio ’START’ é brilhantemente escrito e atuado, combinação que deu ao programa peso dramático a uma narrativa quase sempre carregada pelo tons frios e sombrios. Pois esses elementos estão mais do que presentes na series finale, nos momentos mais chaves que ajudam a definir o final grandioso de The Americans.

O título ‘START’, uma referência ao acordo nuclear assinado em 1991 entre EUA e Rússia, só foi possível graças a Elizabeth e Philip Jennings. Claro, ficcionalmente falando. Ao descobrir o plano de que uma ala da KGB queria alterar os relatórios de Elizabeth para tentar derrubar Gorbachov com um escândalo de corrupção, ambos dão mais uma prova de compromisso com a ideologia do seu país num ato de coragem derradeiro que só pode ser traduzido como “doloroso, mas necessário”.

[ATENÇÃO: SPOILERS A PARTIR DAQUI]

Porque, a partir do momento que o cerco se fecha, Philip e Elizabeth não têm mais o que fazer se não fugir. É o retorno deles à Rússia, em uma bonita passagem representada por uma viagem de carro até Moscou, que garantem a sobrevivência do seu povo e a paz que há tanto tempo vinha sendo perseguida. Nessa fuga, no entanto, eles precisam tomar decisões difíceis, como deixar o filho mais novo Henry para trás, mas principalmente ficar frente a frente com Stan Beeman, o agente do FBI que por muitos anos foi mais do que um vizinho da família.

A sequência em que os Jennings são confrontados em um estacionamento por Stan, mais uma vez às escuras como eles sempre viveram mergulhados na escuridão e em mentiras, é o momento em que o texto de Joe Weisberg e Joel Fields brilha, cumprindo com enorme eficiência aquele que é um dos desfechos mais esperados desde que The Americans começou. Não apenas pela tensão que a cena cria, mas principalmente pela insistência de Stan em fazê-los se entregar, enquanto que ao mesmo tempo Philip expõe a sua crença ideológica sobre o que eles acreditavam estarem fazendo o melhor para o país deles.

Por fim, Stan deixa a família fugir. É um ato de compaixão? Eu fico sempre voltando para entender, mas talvez ele sentiu que era apenas o que precisava ser feito. Se não fosse por essa sua ação, os Jennings e a mensagem que eles precisavam levar até a Rússia não chegaria. O que mais me surpreende mesmo na fuga é a decisão de Paige abandonar os pais a caminho do Canadá, em uma cena de partir o coração quando olhamos para a reação de Elizabeth e Philip.

A televisão dificilmente verá nesse ano algo mais genuíno, triste e brilhante quanto esse final de The Americans. Tenso do início ao fim e sabendo perfeitamente onde pretendia chegar, a contemplação de Elizabeth e Philip ao final do episódio ao avistarem Moscou de longe contamina também quem assiste, pois não conseguimos tirar os olhos dos dois enquanto finalmente podemos admirar a incrível jornada que tiveram. Sorte a nossa de ter acompanhado.

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