‘Sharp Objects’ investiga crime e humanidade traumática de protagonista

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Sharp Objects, a nova minissérie da HBO que estreou no final de semana, tem todas as marcas de expectativas que qualquer grande produção gera: uma premiada e grande atriz como protagonista (Amy Adams); baseada em uma das escritoras do momento (Gillian Flyn); e dirigida por Jean-Marc Vallée, responsável por dar toda a identidade de Big Little Lies. Somente esses fatores já seriam suficientes para aguçar a nossa curiosidade pela série.

Mas Sharp Objects tem mais o que mostrar. Além da trama de assassinato que assusta uma pequena cidade do Misouri a qual se compromete narrar, a série está envolva por uma redoma de tensão, tristeza, pessimismo e incerteza que se encaixam em perfeita harmonia com a personalidade de Camille Preaker (Amy Adams) e, claro, com o próprio tom da narrativa.

Camille é uma jornalista trabalhando para um jornal de St. Louis. Mas o assassinato de uma garota, e o desaparecimento de outra, em sua cidade-natal levanta curiosidades de que talvez se trate de um novo serial killer. Mesmo relutante em ir e enfrentar a sua mãe, Adora (Patricia Clarkson), e mesmo os próprios transtornos e tragédias que a transformaram em uma mulher amargurada e alcoólatra, Camille parte como se estivesse rumo ao desconhecido. E é isso que mais provoca reviver memórias que ela não tem condições de enfrentar.

Por ser baseada em um livro da escritora Gillian Flyn, é comum querer encontrar referências (ou coincidências) entre as obras. A verdade é que, enquanto A Garota Exemplar se destaca pelo tom de suspense (traduzido por David Fincher em grande adaptação), Sharp Objects está mais para uma série policial que ora se permite ser noir (sem muito sucesso) e ora mais investigativo – como se baixasse o True Detective com corpos aparecendo e alucinações que exprimem o humor da protagonista e da série quanto às cicatrizes que ela carrega tanto dentro de si quanto fora.

Como em toda série onde se comenta tendo assistido apenas um episódio, Sharp Objects ainda tem muito o que crescer e nos apresentar. O primeiro episódio é um bom cartão de visitas, com destaque principalmente para a montagem a qual determina um bom senso do que se passa na cabeça da protagonista e quais os seus verdadeiros sentimentos. Sharp Objects promete ser uma série investigava, mais do que isso, um estudo de personagem da condição de um ser humano atormentado por tantas traumas.

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