Seis motivos para não perder a última temporada de ‘The Americans’

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Na Era da Peak TV (saiba mais sobre o assunto nesse artigo), é muito raro uma série como The Americans sobreviver em meio a um elevado número de produções, inúmeras plataformas de streaming que acirram ainda mais a concorrência e, principalmente, sem nunca ter conseguido atingir uma grande audiência. Como explicar, então, o seu sucesso? Simples: uma história bem contada que vai fascinando em cada temporada e, assim, ganhando mais adeptos.

Quando o Emmy (tardiamente) reconheceu The Americans, indicando a série nas categorias principais do prêmio, a série já tinha um público fiel e imenso respeito junto à crítica, o que foram suficientes para a emissora FX ter dado carta branca aos produtores Joel Fields e Joe Weisberg. Junte isso às denúncias de envolvimento russo nas eleições presidenciais nos Estados Unidos, e você tem a combinação perfeita que explica a relevância que a série ganhou recentemente.

Parte de tudo isso está compilado nos seis motivos que listamos que tornam essa última temporada de The Americans um grande evento em 2018:

  • Imprevisível

É impossível fazer qualquer previsão de como The Americans vai terminar. O que se pode esperar é que o final não será feliz. Afinal de contas, o regime socialista russo sucumbiu e enquanto o ex-premiê da União Soviética Mikhail Gorbachev negociava o colapso do regime, agentes russos em campo tentavam encontrar alguma saída.

A pergunta que nos fazemos é: o que The Americans reserva para o destino da família Jennings? As suas identidades são finalmente descobertas por Stan Beeman? Ou a União Soviética simplesmente os entrega em troca de alguma imunidade? Ou os matam e escondem qualquer vestígio? São muitas as possibilidades e é isso que deixa a trama ainda mais fascinante e imprevisível.

Joel Fields e Joe Weisberg (produtores) reunidos com Keri Russell e Matthew Rhys.

  • The Americans é autoral

Não é muito comum vermos esse tipo de dinâmica na televisão, mas alguns criadores conseguem desenvolver e dar a um programa a sua própria assinatura. Casos de David Simon (The Wire), Vince Gilligan (Breaking Bad) e Matthew Weiner (Mad Men). Joe Weisberg pode se encaixar no perfil desses três produtores, ainda que The Americans seja apenas a sua primeira incursão na TV.

No entanto, sua experiência como ex-agente da CIA, alinhado a um poder de escrita e de amarrar as tramas que impressionam, Weisberg soube como conduzir The Americans até aqui – e parte da experiência de assistir o programa é justamente se deixar ser guiado pela visão que os seus criadores estão dando, não só para avançar a história como também na capacidade de tornar os personagens humanos.

  • O futuro de Paige

Não tinha como esperar que Paige, a filha mais velha do casal Elizabeth e Philip, pudesse ganhar tão importância e se tornar uma peça fundamental para a continuidade da trama. Tudo bem, talvez eu esteja exagerando um pouco. Mas o fato é que o treinamento para Paige se tornar uma agente é o que divide e afasta Elizabeth e Phillip um do outro. Em uma história sobre espiões disfarçados agindo em solo estrangeiro, falar sobre relacionamentos é imprescindível. E The Americans constrói isso muito bem.

Porém, agora que Paige finalmente está aceitando e entendendo pelo o que ela está lutando, como ela vai lidar ao saber que a União Soviética está prestes a sucumbir? Qual será o impacto disso na família Jennings? E, por último, qual o papel do outro filho do casal, Henry, em toda essa história?

  • Reconhecimento para Stan Beeman

Fico pensando se Stan Beeman vai ser de alguma forma reconhecido ou renegado pela agência e culpado por não ter notado que os seus vizinhos eram na realidades agentes da União Soviética. Há um conflito interessante aí e que The Americans poderá explorar nessa temporada, principalmente pela proximidade que ele adquiriu convivendo com Henry. Essa é uma questão que deverá ser resolvida, e um episódio trazendo esse desfecho tem tudo para ser um daqueles momentos de alta da série.

  • E quanto a Oleg?

O lado russo do colapso da União Soviética é representado por Oleg. Desde as primeiras temporadas que The Americans o trata como um outsider, isto é, alguém que admira o modelo americano mas que compreende a sua posição e por isso sabe que tipo de decisão precisa tomar. No entanto, a quinta temporada mostrou um outro lado do personagem, agora repassando informações sigilosas para os Estados Unidos. Será ele um fator importante para o desfecho da atuação de agentes russos em solo americano? Ou mesmo essencial para Stan Beeman e sua investigação?

Sabe-se que ele desempenhará um papel importante, mas é preciso aguardar para saber o que será.

  • O desfecho do relacionamento

O final da 5ª temporada deixou em evidência as tensões no casamento de Elizabeth e Phillip e, claro, esse é um dos motivos que nos fazem também assistir The Americans – além de toda a trama de espionagem. Contrário ao treinamento de Paige, Phillip se distanciou dos ideiais que o formaram e o colocaram nos Estados Unidos e agindo a favor do governo, enquanto que o oposto aconteceu com Elizabeth, uma defensora do regime e que está engajada para transformar em uma agente.

Keri Russell e Matthew Rhys, também casados na vida real, foram os responsáveis de chegarmos até esse momento da última temporada torcendo para algum desfecho favorável a eles. Não sei se seria o caso de um “final feliz”, mas talvez algo que conciliasse e mantivesse o relacionamento dos dois. A julgar pelo trailer (assista abaixo), esse não parece ser o objetivo de The Americans.

A série do canal FX estreia a sua última temporada no dia 28 de março. No Brasil, o episódio é disponibilizado via streaming através da plataforma Fox Play. Assista o trailer:

One Response to Seis motivos para não perder a última temporada de ‘The Americans’

  1. […] Game of Thrones não estava elegível na premiação do ano passado e isso torna a série da HBO como a principal favorita em 2018, tendo algumas outras séries ali perseguindo bem de perto (caso de The Handmaid’s Tale, outra postulante e que tem boas chances de sair com o prêmio). Ainda assim, pra mim, o programa que deveria ficar com o Emmy se chama The Americans (e as razões eu explico neste post). […]

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