‘Mozart in the Jungle’ alcança o seu melhor na 4ª temporada

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Mozart in the Jungle tem sido uma dessas gratas surpresas ano após ano. A série nunca estreia cercada por qualquer expectativa e me parece que não é acompanhada por um grande público. Mas sempre oferece episódios que mesclam como nenhuma outra série o drama e a comédia em sua melhor forma, estabelecendo não só uma relação afetiva entre o público e seus personagens, como sabendo criar e desenvolver novos conflitos sem nunca perder o humor.

A série criada por Roman Coppola, Paul Weitz e companhia limitada é divertida em cada episódio, por isso é tão difícil largar uma temporada quando fica disponível na Amazon Prime. Os episódios duram cerca de 25 minutos e a série nos suga de tal maneira que tudo que mais queremos após o final de um capítulo é simplesmente dar o play no próximo. E isso se manteve assim mais ainda na 4ª temporada, que estreou recentemente, onde Mozart in the Jungle exibe a sua melhor forma: mais madura, sabendo exatamente qual caminho deseja seguir e oferecendo novos desafios (e diversão) para um elenco que atua “with the blood” em cada cena.

A trama nessa temporada foi muito mais centrada em Hailey (Lola Kirke) do que em Rodrigo (Gael García Bernal), já que Mozart in the Jungle decidiu acompanhar a moça em seu sonho de ser uma Maestro. Como é uma série sobre música, harmonia e afinação são elementos que também se juntam à trama além das sinfonias que ouvimos e da ambição de alcançar o perfeccionismo – ou o significado do porquê ser feito. Nessa junção de elementos Mozart in the Jungle toma uma sábia decisão que ajuda a definir a importância de Hailey para essa temporada, quando passa a oferecer a ela aquelas visões de clássicos e renomados compositores que aparecem aqui e ali em meio ao seu processo criativo, lembrando justamente as aparições de Mozart para Rodrigo.

O que também chama atenção é como a série dá espaço para o seu elenco de apoio. Thomas Pembridge (Malcolm McDowell) e Gloria (Bernadette Peters) arrancam momentos graciosos juntos, como um casal, mas também outros hilários quando estão competindo entre eles mesmos. A gente sabe, no entanto, que a série é mesmo Hailey e Rodrigo e se aproveitando da boa química que flui entre eles, nos levando a não nos preocuparmos exatamente se eles ficarão ou não juntos, mas torcendo para ambos encontrarem o rumo que eles tanto estão buscando.

Mozart in the Jungle investe seus episódios nesse arco dramático, mas economiza tempo com decisões sabiamente tomadas que ajuda a dar um ritmo acelerado em determinados momentos, como nos episódios que Hailey está praticando com Rodrigo uma peça musical, enquanto sabe também a hora de cadenciar, no lindo e ousado episódio “Ichi Go Ichi E”, ambientado completamente em uma experiência sensorial vivida por Hailey e Rodrigo quando ambos tentam se conciliarem e resolverem suas diferenças.

Essa foi a melhor temporada de Mozart in the Jungle, do início ao fim. Eu não esperava que a série pudesse me surpreender e me alegrar tanto após aquele capítulo na temporada passada quando Rodrigo leva a sinfonia para tocar em um presídio de Nova York, mas a verdade é que Mozart in the Jungle conseguiu ser ainda melhor dessa vez. E em todos os capítulos, desde a introspecção de um episódio como “Ichi Go Ichi E”, até um abertamente crítico, relevante e preocupado com o futuro da música, como “We’re Not Robots”. Tudo se encaixou e foi narrado harmoniosamente bem, como uma sinfonia.

Assista o trailer:

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