‘Homeland’ se mantém no ar graças ao noticiário político

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As últimas semanas foram corridas: mudanças, resolução de pendências, organização de documentos e muita paciência requisitada para não surtar entre um problema e outro. Por isso, o blog ficou desatualizado. E também porque não tenho conseguido assistir muita coisa. Mas em breve tudo isso volta ao normal, é só mesmo uma questão de tempo. Porém, acreditem ou não, eu ainda assisto Homeland. E estou praticamente em dia com a série.

Confesso que não foi fácil manter a assiduidade de assistir Homeland, mas desde a quinta temporada que a série vem aprendendo a se reinventar para continuar relevante. O objetivo vem sendo cumprido, apesar do sexto ano irregular e inconsistente. A nova temporada, que estreou há pouco mais de um mês nos Estados Unidos, não está tão diferente e responde por um baixo convencimento por parte da história que está sendo contada. Mas, mesmo assim, Homeland guarda bons momentos. Abastecida, é claro, pelo noticiário político explosivo responsável pelas tensões em todo o mundo.

O primeiro episódio da nova temporada foi interessante de observar: em quase uma hora acompanhamos Carrie (Claire Danes) correndo de um lado para o outro enquanto seguia uma importante pista para, no final, tudo ser estragado e o plano abortado e mudado completamente. Agindo sozinha, ela tenta desmascarar a recente administração da presidente Elizabeth Keane (Elizabeth Marvel), que desde a tentativa de assassinato instaurou um governo baseado no medo e na demonstração de força. Nada diferente do que o presidente Trump faz.

É nesse ponto que a história de Homeland nessa temporada tem chances de se perder porque Elizabeth Keane, apesar dos esforços da atriz Elizabeth Marvel, não tem esse poder de convencimento e força que a série tanto quer empregar em sua personagem – claramente transformada pelo acontecimento que já mencionei mais acima. Por outro lado, o que movimenta mesmo os primeiros episódios é a perseguição ao agitador político Brett O’ Keefe, alguém como o Steve Bannon que tenta trazer a supremacia branca a lutar contra o poder de Keane e libertar a América. O tom é conhecido e só poderia terminar em tragédia, como de fato acontece ao final do quarto capítulo.

Esses foram momentos bons que, mesmo Homeland demonstrando um certo cansaço (são sete temporadas, não é mesmo?) e até resolvendo facilmente algumas investigações que em outros tempos demorariam mais alguns episódios, a série na sétima temporada sabe perfeitamente o caminho que deseja seguir. Influenciada pela América dividida que agravou a situação com a eleição de Trump, Homeland reimagina situações como a tragédia de Waco, uma clara referência no quarto episódio, para também exercitar qual o impacto que essa nova realidade e conjuntura política tem na sociedade. Apesar de ser uma obra de ficção, Homeland se espelha cada vez mais na realidade. E é isso que a torna ainda tão assustadora.

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