Nos 90 anos de Tom Jobim, fizemos uma lista de músicas essenciais

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Não é a toa que o dia 25 de janeiro é considerado pelos fãs e entusiastas da MPB como o Dia da Bossa Nova. Isso porque foi nesta data que nasceu o maestro Antonio Carlos Jobim, que agora em 2017 estaria completando 90 anos.

Morto em 1994, Tom forma com João Gilberto (hoje com 85 anos) e Vinícius de Moraes o trio que iniciou o importante gênero e revolucionou a música popular brasileira. A parceria entre Tom e Vinícius começou em 1956, quando juntos compuseram o LP “Orfeu da Conceição”. Dois anos depois, em “Canção do Amor Demais” (da cantora Elizeth Cardoso, que morreu em 1990), é visto pelos pesquisadores como marco inicial da Bossa Nova. O disco só tem composições da dupla e João Gilberto no violão.

Mas foi na década seguinte que Tom Jobim ganhou fama internacional quando se destacou no Festival de Bossa Nova no Carnegie Hall, em Nova York. Um ano depois do incrível sucesso no exterior, Tom e Vinícius compuseram “Garota de Ipanema”, a canção brasileira mais famosa do mundo e também a mais gravada.

Em homenagem aos seus 90 anos, relembramos músicas essenciais da sua impecável e vasta obra. Veja abaixo:

Garota de Ipanema

Dizem os pesquisadores que é a música mais tocada da história, atrás apenas de “Yesterday”, dos Beatles. Isso lá em 2012, quando saiu realmente uma pesquisa por causa do aniversário de 50 anos de “Garota de Ipanema”. Presente recentemente na série Mad Men, em filme dos irmãos Coen e em campanhas de marketing da Nike e Calvin Klein, Garota de Ipanema comprova a preocupação técnica de Tom Jobim. O produtor Nelson Motta disse em seu livro “Noites Tropicais” que Garota de Ipanema “é uma das músicas imprescindíveis para se compreender os movimentos artísticos do país.

Chega de Saudade

Gravada pela primeira vez em 1958, Tom Jobim e Vinícius de Moraes compuseram a música que inaugurou a Bossa Nova. Na coletânea de artigos “Samba Falado” (2008), Vinícius de Moraes conta que Tom pegou o violão e tocou um pouco o sambinha que, segundo Vinícius, “era uma graça total, com um tecido melancólico e plangente”. A letra, de acordo com Vinícius, demorou pra sair. Mas também quando saiu é essa beleza que ouvimos até hoje.

Ouça abaixo:

Corcovado

Essa é uma das canções onde Tom expressa o amor pelo Rio de Janeiro, que também pode ser escutado em “Samba do Avião” (1963) e “Lígia” (1973). Como numa parte quando ele canta “Da janela vê-se o Corcovado / O Redentor que lindo / Quero a vida sempre assim com você perto de mim”. Tom escreveu essa música em 1960. Escute aí:

Desafinado

No livro Tom Jobim – Histórias de Canções (2013), há uma história de que Tom não gostou da letra composta por Newton Mendonça. Mas a verdade é que Desafinado é uma das mais belas canções da Bossa Nova. O colunista Guilherme Wisnik fez uma análise da música para a Rádio USP no ano passado e disse que “Desafinado trata com sofisticação da relação do eu-lírico com o “eu-desafinado, que tem um coração e merece alguma redenção”.

Águas de Março

Composta por Tom Jobim em 1972, a canção foi lançada inicialmente no compacto Disco de Bolso, o Tom de Jobim e o Tal de João Bosco, e depois apareceu no álbum Matita Perê. Chegou a ser nomeada em 2001 como a melhor canção brasileira de todos os tempos em uma pesquisa envolvendo 214 jornalistas brasileiros, músicos e outros artistas do Brasil. Na edição da Rolling Stone de 2009, Águas de Março aparece em 2º lugar, atrás apenas de Construção, de Chico Buarque.

Eu Sei Que Vou Te Amar

Certa vez Tom Jobim perguntou a Vinícius de Moraes: “Mas, afinal, quantas vezes você vai se casar?”. Vinícius respondeu: “Quantas forem necessárias”. No total, foram nove casamentos. E muitos estudiosos e pesquisadores dizem que a base fundamental da canção Eu Sei Que Vou Te Amar está nesses relacionamentos do poetinha. Ouça abaixo:

Wave

“Vou te contar / Os olhos já não podem ver”, basta ouvir esses dois versos para saber de que música se trata. Sem falar nos arranjos, que também têm um toque muito fácil de reconhecer. Faixa-título do álbum de Tom lançado em 1967, este é o disco mais bem-sucedido do compositor e foi gravado em um estúdio de Nova York, o Van Gelder, em junho daquele ano.

Água de Beber

É curioso porque não há muitas versões de Água de Beber na Internet com os dois, Vinícius e Tom, interpretando a música.  Essa versão gravada pela Television Suiza foi feita em 1978, pouco tempo antes da morte de Vinícius. Os dois gravaram a música em 1961 e foram feitas inúmeras versões nas vozes de Sergio Mendes, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e Charlie Byrd, só pra citar algumas. Veja abaixo esse importante registro

Samba de Uma Nota Só

A música é mais uma das parceria de Tom com o compositor Newton Mendonça, parceiro habitual de Tom Jobim e que, se não fosse pela morte precoce aos 33 anos, com certeza teria contribuído muito mais para a obra do compositor. A complexa brincadeira “de uma nota só” revela um pouco também do processo criativo dos dois, e também as possibilidades de criações e invenções que se podiam fazer dentro do gênero da Bossa Nova, sendo ao mesmo tempo uma canção divertida mas complexa em sua forma. Ouça abaixo:

Insensatez

Não sabemos quantos artistas já regravaram essa música, mas ela funciona bem nas vozes de Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Elis Regina, Nara Leão e João Gilberto. É uma canção clássica que revela a melancolia da composição de Vinícius de Moraes e Tom Jobim. Mas também é uma música que nunca cansamos de ouvir.

[Crédito da Imagem de Capa: Reprodução]

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