As melhores Séries de 2017

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É cair no lugar comum dizer que “foi o grande ano para as séries”, mas é que foi mesmo. Mais uma vez os programas televisivos tiveram importante relevância em discutir os assuntos que mais estavam no centro do debate em 2017. Séries como The Handmaid’s Tale e Dear White People, por exemplo, foi em parte responsável por uma discussão sobre valores e o nosso papel em um mundo que caminha para um lugar que com certeza eu e você não queremos. Além disso, a TV ainda reservou o esperado momento do retorno de Twin Peaks, que chegou explodindo as cabeças de todo mundo e redefinindo novamente o gênero como já tinha feito na década de 90.

Para celebrar essas grandes séries e sua diversidade, fizemos uma lista dos vinte seriados que mais nos entusiasmaram em 2017. Clique para continuar a leitura e confira:

20. Top of the Lake: China Girl (2ª Temporada • Sundance TV)

Eu tinha uma grande expectativa pela segunda temporada de Top of the Lake após uma primeira temporada impecável. A verdade é que a segunda parte, intitulada China Girl, foi uma continuação sem muito brilho. O crime conduzido por Jane Campion não é envolvente. Mesmo assim, a série avança nos dramas da personagem vivida pela Elizabeth Moss e na sua relação com a recém-descoberta filha, que garantem os melhores momentos de Top of the Lake.

19. This Is Us (2ª Temporada • NBC)

This Is Us já deixou de ser uma grata surpresa pra mim. Se na 1ª temporada a série fez grande sucesso na televisão aberta, o segundo ano é para confirmar isso. E a história continua muito boa, trazendo novas atmosferas para dentro da narrativa. Os últimos três episódios desse ano, cada um focado em um dos trigêmeos, foi uma das coisas mais legais que eu assisti porque deram para conhecer ainda mais a trajetória de cada um deles. Apesar de eu continuar detestando os arcos envolvendo Kevin, Randall e Kate têm segurado os capítulos. Além, é claro, das já belas interações entre Jack e Rebecca. This Is Us está no caminho certo e todos nós agradecemos.

18. Narcos (3ª Temporada • Netflix)

Muitos questionamentos pairavam no ar sobre como seria a temporada de Narcos após as duas primeiras focadas em Pablo Escobar. E a resposta veio na 3ª temporada, dessa vez concentrada na ascensão meteórica do cartel de Cali e sua queda melancólica. Mas quem rouba mesmo a atenção é o agente Javier Peña, destemido em sua busca para prender os cavaleiros de Cali só para perceber ao final que essa guerra contra o tráfico de drogas é muito mais abrangente do que ele imaginava. Narcos mostrou que há ainda muito o que ser contada após os dias de Escobar. E há um certo entusiasmo pela série chegar ao seu grande destino: o México.

17. Feud: Bette and Joan (1ª Temporada • FX)

Ryan Murphy (American Horror Story) descobriu a fórmula de fazer uma série dar certo na televisão: criar produções antológicas. E Feud: Bette and Joan surgiu com o propósito de narrar as mais polêmicas rivalidades. A primeira temporada se concentra nas brigas entre as atrizes Bette Davis e Joan Crawford, que se acirraram durante as gravações do clássico O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (1962). A série é uma delícia de acompanhar, apesar de sabermos o quanto as duas devem ter sofrido nessa época. Mas eu gosto de ver esses bastidores de Hollywood. Tem tudo para cair apenas em fofoca, mas se contar de forma inteligente o resultado é perceptível na tela: além de humanizar essas figuras, dar uma versão à história. É o que acontece na série. Destaque também para o talentosíssimo elenco: Jessica Lange, Susan Sarandon, Judy Davis, Alfred Molina e Stanley Tucci.

16. The Crown (2ª Temporada • Netflix)

Foi uma das últimas séries que maratonei no ano (ainda pretendo ver Godless e passei a acompanhar e A Maravilhosa Sra. Maisel, por isso ambas não tiveram chances de entrarem nessa lista) e gostei muito da temporada. Foi inferior em relação à primeira, mas The Crown faz um trabalho bem feito em reconstruir a história e isso sempre me move a assistir os episódios. Claire Foy continua impecável, agora com todos os holofotes já que dessa vez não tem nenhum ator com o mesmo talento que um John Lithgow para se destacar juntamente com ela. The Crown erra apenas em dar muito espaço para o Duque de Edimburgo, sendo estes os episódios mais insuportáveis de assistir. Quando The Crown se preocupou mais com a rainha e com os fatos históricos que marcaram a década de 60, a série dá um show de bola.

15. Dear White People (1ª Temporada • Netflix)

Dear White People é aquele tipo de série que merecemos assistir em 2017. Satírica ao retratar uma situação de tensão que se estabelece no campus de uma fictícia universidade quando estudantes brancos tentam realizar uma festa de halloween cujo tema é se vestir de negros. Em tempos de supremacia branca ganhando o noticiário por causa de tudo o que acontece nos Estados Unidos, e em outros cantos do mundo, Dear White People consegue conscientizar mesmo quando está fazendo humor. A série de Justin Simien, diretor do filme homônimo que deu origem à série, se aprofunda nas questões que cria – além de ganhar a ajuda de Barry Jenkins, diretor de Moonlight e que dirige um dos episódios (coincidentemente, o melhor exibido pela série).

14. Alias Grace (Minissérie • Netflix)

Alias Grace estreou quase que no final do ano, mas ainda deu tempo de entrar na lista. Mais uma produção adaptada do livro da escritora Margaret Atwood (The Handmaid’s Tale), a minissérie de seis episódios traz mais uma vez questões relevantes como assédio, imigração e aborto. A trama real da imigrante irlandesa Grace Marks que se muda para o Canadá com a família, ganha contornos de dúvida o tempo todo sobre os seus atos que levaram à sua prisão. Esse é apenas um dos elementos que nos deixa envolvidos, porque Alias Grace ainda tem grandes atuações e uma história muito bem amarrada pela ótima roteirista Sarah Polley, principalmente pelas interações entre Grace e o Dr. Jordan, nos transformando também em cúmplices (ou condescendentes) porque somos sensibilizados pela trajetória de dor e tristeza de Grace.

Foto: Reprodução

13. Curb Your Enthusiasm (9ª Temporada • HBO)

Curb Your Enthusiasm tem o exato tom de humor que simplesmente amo: são as situações absurdas, caóticas e completas reclamações do dia a dia que mais podem se transformar para mim em uma peça engraçada. Foram seis anos fora do ar. E Curb Your Enthusiasm não é aquela série que precisa introduzir personagens ou histórias para a audiência entrar no ritmo. As frustrações de Larry o coloca nas mais divertidas e irônicas situações, lutando para viver e passar despercebido frente a um mundo o qual ele não dá a mínima. A série pode não ter tido uma temporada memorável como aquelas anteriores que sedimentaram o sucesso que o programa da HBO alcançou. Mas ainda há motivos para se entusiasmar com seus episódios porque os textos brilhantes de Larry David ainda são a essência do que torna essa série tão boa.

Foto: Reprodução

12. American Vandal (1ª Temporada • Netflix)

American Vandal foi uma das séries mais diferentes que assisti no ano. Se aproveitando da proliferação de séries documentais, o programa é um “mockumentary” que debocha sutilmente do gênero, o usando para investigar alunos de um colégio suspeitos de terem cometido um ato de vandalismo que chocou a comunidade local. American Vandal é repleta de referências a Making a Murderer e diverte justamente por se levar a sério esperando da audiência justamente o contrário. E a série consegue arrancar isso de nós que estamos assistindo.

Foto: Reprodução

11. The Handmaid’s Tale (1ª Temporada • Hulu)

The Handmaid’s Tale é uma série que demorei para me envolver. É difícil de assistir e há uma razão para isso. Mas desde o início a série deixa claro a qualidade que tem e avisa que Elizabeth Moss vai abocanhar todos os prêmios possíveis do ano. Foi o que acabou acontecendo, mas o que me deixou impressionado mesmo (e como todo mundo) foi o timing perfeito para o lançamento de The Handmaid’s Tale combinando com a eleição de Donald Trump. O que era um mundo distópico e completamente distante, se transformou em uma realidade possível e capaz de nos fazer pensar se a humanidade estaria mesmo caminhando para algo similar àquilo. The Handmaid’s Tale é cruel e bastante dolorosa, mas foi uma das produções mais relevantes de 2017 e vale a pena assistir – ainda que se demore para chegar até o final porque é difícil emendar um episódio no outro.

Foto: Reprodução

10. Mindhunter (1ª Temporada • Netflix)

Assinada por David Fincher, Mindhunter foi uma das grandes séries do ano. Em dez episódios, prende a nossa atenção do início ao fim e nos faz acompanhar dois detetives investigando padrões de personalidades em assassinos que cometeram crimes em série. Apesar de optar por não apresentar grandes reviravoltas, o mais intrigante em acompanhar Mindhunter é pela dinâmica dos dois detetives e o trabalho de formiguinha para levar o que eles estão descobrindo com essa pesquisa para as pequenas delegacias no interior dos EUA. Sendo que a todo momento Mindhunter atiça ainda mais a nossa curiosidade em compreender a mente de um serial killer.

09. Better Call Saul (3ª Temporada • AMC)

Better Call Saul continua me fascinando. De verdade. A terceira temporada teve alguns problemas, é bem verdade, mas o estudo de personagem conduzido por Vince Gilligan e Peter Gould me intriga. Há tantas camadas em Jimmy McGill/Saul Goodman que às vezes me peguei torcendo (ainda que em vão) porque eu queria que ele tivesse uma vida melhor. E essa temporada trouxe ainda mais lados obscuros, desde o preto e branco que preenche a tela no início do primeiro episódio até a trágica sequência que encerra a temporada. Todos os personagens são tridimensionais, complexos e são as suas decisões que fazem a narrativa mover. É uma série muito diferente de Breaking Bad e que caminha sozinha.

Foto: Reprodução

08. The Vietnam War (1ª Temporada • PBS)

A guerra do Vietnã completou 42 anos em 2017. E ainda é um conflito marcante na história mundial, com feridas ainda abertas possivelmente dos dois lados – e talvez até mais dos Estados Unidos, criticados por terem cometidos crimes bárbaros contra os vietcongues enquanto que nos EUA a população critica a guerra por tantos jovens soldados terem perdido suas vidas. Os documentaristas Ken Burns e Lynn Novick revisitam todos esses fatos históricos em dez episódios simplesmente arrebatadores. The Vietnam War fala do desastre militar americano, contextualiza com a história de colonização que parte do século XIV até o que ficou de legado para as gerações seguintes que, mesmo sem terem participado ou presenciado a guerra, acabaram mesmo assim sofrendo consequências.

The Vietnam War é uma série documental que pode servir de modelo para qualquer outra do gênero que se predispõe a investigar algum fato histórico de relevância – e lembra grandes documentários dirigidos por cineastas do peso de William Wyler e Frank Capra, marcados no igualmente relevante Five Came Back, documentário disponibilizado na Netflix Brasil e que fica aqui como uma menção honrosa porque também foi um dos melhores que vi no ano.

07. The Deuce (1ª Temporada • HBO)

Juntar David Simon e George Pelecanos na mesma série dá sempre o mesmo resultado: qualidade. The Deuce não foge à regra. Os criadores de The Wire, Treme e Show Me a Hero agora investigam a prostituição na Nova York da década de 70, em um retrato cruel e trágico que trata ainda de como a máfia local pouco a pouco foi substituindo o que acontecia na rua por bordéis por toda a Times Square – aumentando também o nível de corrupção nos órgãos da cidade que faziam vistas grossas para o que estava acontecendo. Quem rouba toda a atenção é Maggie Gylenhaal, em um dos papéis mais impressionantes da sua carreira até o momento. Se você gostou de The Wire, então The Deuce se transforma em uma série imperdível de ser assistida.

06. Halt and Catch Fire (4ª Temporada • AMC)

Arcos narrativos bem construídos e muito bem precisa em administrar a trama e o tempo. A última temporada de Halt and Catch Fire me devolveu os tempos áureos de descobrimento da Internet. Aliás, a série saiu da popularização dos computadores pessoais para as possibilidades da Internet em quatro anos que a marcaram como uma das principais da televisão, ainda que os números de audiência não demonstrem isso. O discurso de Donna em uma das sequências finais, quando ela diz “Eu ganhei. Eu perdi”, serve para ilustrar a vida de todos esses personagens. Sempre tenho medo de finais de série, mas as soluções encontradas por Halt and Catch Fire só reforçaram que esta série deve entrar em qualquer lista das melhores dessa década.

05. Twin Peaks (3ª Temporada • Showtime)

Twin Peaks foi o grande evento televisivo do ano. Desde Lost que eu não via a Internet ficar tão ansiosa por um novo episódio. David Lynch e Mark Frost justificaram o buzz, mas Twin Peaks precisa ser assistida como se estivesse degustando um vinho: é preciso calma, avaliar bem os episódios para sentir e entender o que está sendo mostrado. Não é uma tarefa das mais fáceis, mas garanto que vale a pena. Basta dizer que Twin Peaks pode ser analisada em duas partes: antes e depois do episódio oito. A falta de linearidade e as sequências que aparentemente não significam nada foi responsável por explodir muitas cabeças. Até hoje me pego repetindo a icônica frase ‘Gotta light?’. E se você não se emocionar quando o agente Cooper acorda do incrível pesadelo da outra dimensão onde ele se encontrava quando imediatamente toca a trilha icônica de Angelo Badalamenti, você é insensível. Será que vamos ter mais? Mark Frost quer mais alguns episódios.

04. Big Little Lies (1ª Temporada • HBO)

Demorei para gostar e entrar no clima de Big Little Lies. Os primeiros episódios não me fisgaram, mas depois fiquei completamente viciado. A série da HBO deu um toque humano e feminista importante para um tema que precisa ser abordado assim. As mulheres de Big Little Lies vivem amedrontadas por uma presença masculina ameaçadora que as sufoca. Tudo combina perfeitamente bem: a direção de Jean-Marc Vallée, a trilha sonora e bela fotografia de Yves Belanger traz um contraste essencial para a série ter dado certo em sua linguagem, já que mistura o luxo de Monterrey com a bagunça e intrigas que as protagonistas se envolvem. E o final cria uma tensão e um medo aterrorizantes, culminando em uma das melhores sequências vistas na televisão nesse ano. Agora sabemos que a história vai continuar. Tomara que não se perca a qualidade. Vamos torcer.

03. The Leftovers (3ª Temporada • HBO)

O tempo vai ser bom com The Leftovers do mesmo jeito que foi com The Wire. A série de David Simon nunca recebeu o prestígio dos prêmios, ou da audiência, que tanto merecia. E o mesmo aconteceu com The Leftovers, produção criada por Damon Lindelof (Lost) e Tom Perrotta (autor do livro homônimo). A terceira temporada é uma imersão total por uma jornada que começou com o desaparecimento de 2% da população abruptamente. E esse mistério é o que move a narrativa, mas há muito além de explicar o que de fato aconteceu.

Através de Nora e Kevin, Lindelof nos leva a transitar entre pessoas que vagam sem sentido, buscando uma resposta para o que aconteceu ao mesmo tempo que o fato de não ter soluções desencadeia situações extremas. É como tentar explicar a eleição vencida por Trump: o que aconteceu depois? Pessoas surgindo tentando justificar o inexplicável, tentando dar algum sentido. A cena icônica em “The Book Of Nora”, o último episódio da temporada, quando Nora e Kevin conversam sentados à mesa, é uma das sequências mais belíssimas e bem escritas que a TV mostrou nesse ano.

Foto: Reprodução

02. Master of None (2ª Temporada • Netflix)

Dois dos melhores episódios do ano em 2017 estão em Master of None: “Buonna Noitte” e “Thanksgiving”. O criador Aziz Ansari trouxe um frescor nessa temporada em provocar e sair do lugar comum. O capítulo que abre a temporada é em preto e branco, filmado na Itália e com claras referências ao grande cinema italiano de mestres como Fellini, Antonioni e Passolini. Coesa, engraçada e inteligente, Master of None mostrou ambição e foi recompensada por isso.

01. The Americans (5ª Temporada • FX)

Foi a série que me fez chorar em 2017. Só isso. O episódio final, “The Soviet Division”, se encerra em uma sequência final que capta o tom melancólico de toda a temporada. Quer assistir algo mais cruel ou triste do que perceber que é impossível voltar atrás mesmo querendo desesperadamente isso? Elizabeth e Phillip Jennings queriam deixar a vida de agente duplo, voltarem para a Rússia com seus filhos e viverem uma vida normal. Mas eles perceberam que isso nunca vai acontecer. Essa atmosfera deu o choque de realidade que os Jennings não queriam enxergar. Era o fim da esperança, ao som de “Goodbye Yellow Brick”. Todo esse tom que combina perfeitamente com a atmosfera de Guerra Fria pela qual o mundo passava na época foi a melhor série que eu assisti no ano. Tem sido, pra mim, a melhor série há alguns anos. E mal posso esperar pela última temporada em 2018.

Após as celebrações de Natal vamos publicar a lista dos vinte melhores filmes do ano. Então, fiquem ligados!

One Response to As melhores Séries de 2017

  1. […] aqui no Goodfellas como a melhor série que assistimos em 2017 (veja aqui), você pode imaginar o quão ansiosos estamos para o retorno de The Americans, né?! Em sua sexta […]

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