Retrô 2016: Os discos que mais escutamos no ano

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Ao relembrar a música em 2016 descobrimos que o ano foi muito bom e criativo. O retorno do Radiohead depois de cinco sem lançar qualquer material inédito deu um fôlego importante, teve disco-conceitual-visual de Beyoncé e artistas como David Bowie e Leonard Cohen que usaram suas artes para se despedirem do seu público.

Foi um bom ano musical. E esses discos abaixo foram os que mais escutamos em 2016. Confira:

Radiohead
A Moon Shaped Pool

Após cinco anos sem lançar qualquer material inédito desde The King of Limbs (2011), o Radiohead voltou com tudo no álbum A Moon Shaped Pool. Sem os efeitos prolixos do programa de computador do disco anterior, ou mesmo sem toques de experimentação mais arriscada, o Radiohead se abriu para as cordas (viola, violino, violão) e o piano, tendo a ajuda da London Contemporary Orchestra conduzida por Jonny Greenwood, e soou muito mais humano do que alguma vez ouvimos em suas músicas anteriores.

Não só mais humano, como também mais limpo. Acabamos não prestando tanta atenção naquilo de experimentação que a banda está tentando, nos chamando mais atenção para as letras. Além disso, a mais esperada faixa pelos fãs, “True Love Waits (sucesso na década de 90 quando Yorke começou a tocá-la em alguns shows), finalmente entrou em um álbum de estúdio. Um disco de impressões sobre a perda, considerando que Thom Yorke havia acabado de se separar da sua companheira (que faleceu nos últimos dias de 2016 devido a um câncer).

O caminho para a toca do coelho dessa vez é menos tortuoso do que em discos anteriores. Sem tantos labirintos e com muito mais convite para entrarmos na órbita desse disco e desfrutá-lo o quanto quisermos.

bowie-blackstar

Foto: Divulgação

David Bowie
Blackstar

É impossível ouvir esse disco, lançado duas semanas antes da morte de David Bowie, sem lembrar do perturbador clipe de “Lazarus”: a imagem de Bowie se debatendo sobre a cama se comunicando conosco pela última vez e se esforçando para tal. Como disse o crítico da Pitchfork na época do lançamento, “Blackstar é um disco tão artisticamente e criativamente vivo”. E é mesmo. Apesar de soar como uma carta de despedida, lançando luz sobre a impotência da morte e de não conseguir mais lutar contra ela, Blackstar é um trabalho que só comprova mesmo a genialidade de um dos principais artistas de todos os tempos.

Há músicas com sons abstratos como a canção-título que abre o disco, enquanto outras atmosferas seguem vivas como “Lazarus” (mais pensada sob o apoio das guitarras) e o mesmo acontece com “Sue (Or in a Season of Crime)”, deixando o paraíso atmosférico para “I Can’t Give Everything Away”, que encerra o disco. Tudo é tão pensado que chega a emocionar. E é justamente tomado por esse enorme sentimento de emoção que chegamos, dolorosamente, ao final do álbum.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Beyoncé
Lemonade

Esse disco só não furou porque é ouvido na versão digital. Lemonade causou grande impacto quando foi lançado não apenas por ser uma espécie de filme musical muito bem feito e amarrado, mas por ter (muitas) canções tão boas que se sustentam sozinhas quando ouvidas no mp3. Em um álbum tão diverso, a intensidade das letras e das melodias (rock, blues, folk, country e, por que não, pop) não nos deixou esquecer o espírito da artista por trás de cada faixa.

“Hold up”, “Don’t hurt yourself”, “Sorry”, “Daddy Lessons”, “Foward”, “Freedom” e “Formation” (em ordem de aparecimento) somam metade do álbum e são essenciais, cada uma da sua forma. Não foi à toa que (queen!) Beyoncé ganhou indicações ao Grammy em estilos musicais que nem “domina”, como rap e rock.

O disco ter sido produzido a partir das decepções amorosas com o relacionamento com Jay-Z é apenas um detalhe. É claro que a sensualidade da artista e a estética feminina nas imagens é um plus.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Wilco
Schmilco

Escrito e gravado durante os mesmos ensaios de Star Wars (2014), o décimo álbum do Wilco é bem diferente: enquanto que aquele disco de 2014 lembrava mais as ambições experimentais da banda durante a década de 90 e início dos anos 2000, Schmilco dialoga mais com Tweedy, um material lançado por Jeff Tweedy em homenagem à sua esposa, que lutava na época contra um câncer, e mãe do seu filho Spencer, que toca bateria e outros instrumentos nesse álbum dedicado a ela.

Schmilco é mais leve, mais calmo, às vezes as músicas soam acústicas de tão menos agressivo que ele é. A própria canção que abre o disco “Normal American Kids” anuncia melodias mais doces como a que continuamos escutando à medida que o disco avança em “If I Ever Was a Child”, “Cry All Day” e “Someone to Lose”. A única faixa do disco que lembra um Wilco capaz de mostrar um pouco mais de experimentação é em “Common Sense”, pra nós do Trívia uma das melhores do disco.

Foto: Divulgação

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Leonard Cohen
You Want It Darker

Assim como David Bowie, Leonard Cohen sabia que não teria mais tanto tempo de vida. Aos 82 anos, ele sentia seu corpo pouco a pouco se quebrando e que ele a qualquer momento deveria se render ao fenômeno de nascer, viver e morrer. Assim, You Want It Darker é um disco que transita entre o seu passado e o presente, com histórias de arrependimento e outras sobre o amor.

Cantando enquanto sentava em sua cadeira médica comprada por seu filho, que gravou todas as sessões na sala de estar da casa onde Cohen vivia em Los Angeles com a sua filha, o álbum é sobre mortalidade e, principalmente, sobre encontrar a paz consigo mesmo para poder se render com a consciência tranquila ao inevitável.

E é justamente isso que torna o disco tão bonito e ao mesmo tempo sensível porque trata de um homem buscando se redimir daquilo que porventura se arrepende enquanto olha também para tudo o que conquistou.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Nick Cave & The Bad Seeds
Skeleton Tree

A morte esteve tão presente nas vidas de grandes artistas que o tema foi recorrente nos álbuns de muita gente que nós aqui admiramos. O mesmo aconteceu com Nick Cave, e sua banda The Bad Seeds, lançado algum tempo depois à morte prematura do seu filho Arthur (15 anos), que caiu de um penhasco próximo a casa onde morava.

Em Skeleton Tree, Nick Cave passa pelo estágio da perda e da tristeza com músicas que tentam dar alguma clareza sobre esse momento tão difícil. E o resultado é um disco artisticamente belo e ainda mais pessoal que os seus trabalhos anteriores, examinando as vulnerabilidades e incertezas da vida.

É difícil escutá-lo por alguns momentos porque as músicas soam mesmo como um luto – como na capa do álbum, totalmente tomada pelo preto. Mas o álbum vai melhorando com o tempo depois que você se acostuma com as melodias. Deve ser o mesmo que acontece com a perda: depois de algum período de luto e muita tristeza, pouco a pouco nos acostumamos porque é preciso seguir em frente.

Foto: Divulgação

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Various Artists
La La Land OST

É a trilha sonora de La La Land – Cantando Estações, musical que estreia no dia 19 de janeiro aqui no Brasil mas que não havia como ficar de fora dessa lista. O diretor Damien Chazelle e Justin Hurwitz criam aqui músicas originais que simplesmente grudam na nossa cabeça, influenciados pelos musicais do passado – principalmente entre as décadas de 30 e 50.

Emma Stone e Ryan Gosling, os protagonistas do filme, cantam de forma tão apaixonada que é como se sentíssemos o amor pulando de uma faixa à outra. Ao mesmo tempo a vida não é só baseada em amor, mas também sobre nossos sonhos. Para quebrar um pouco o que os dois cantam, há canções de jazz e outras no piano que são tão lindas quanto as cantadas pelo duo Stone/Gosling.

Aliás, os dois surpreendem como cantores (principalmente Stone). Em músicas como “A Lovely Night” e “City of Stars”, quando as vozes de ambos se encontram, há um charme que deixa a música e a letra ainda mais vívidas. Nos parece cedo pra dizer isso, mas Emma Stone e Ryan Gosling nesse disco lembram os grandes momentos de Fred Astaire e Ginger Rogers cantando e dançando nos musicais dos anos 30 e 40.

[Crédito da Imagem: Reprodução]

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