Retrô 2016: Os livros sensacionais do ano

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Ainda dá tempo de uma boa leitura aí? Sim, não podíamos deixar de falar sobre os livros que passaram pela cabeceira do Trívia nesse ano de 2016. É claro que sempre quando termina um ano ficamos com a impressão de que poderíamos ter lido um pouco mais. No entanto, fizemos uma lista bem diversa sobre aquilo que lemos e que realmente nos tocou em 2016. É o que nos propomos a traduzir nessa lista.

Confira:

Rita Lee, uma autobiografia
Autora: Rita Lee

Pode-se dizer que as letras das músicas de Rita Lee são uma mostra da sua personalidade como escritora. Escrever com doçura sobre situações irreverentes ou com humor sobre as desagradáveis já é algo que Rita faz há muito tempo em seus discos, mas agora temos uma amostra mais profunda de como funciona a cabeça dessa mulher tão criativa. A autobiografia de Rita é um livro de pequenas crônicas, nas quais ela conta a sua versão da própria história – muitas vezes interrompida pelo editor fantasma que “conserta” Rita na narração de alguns acontecimentos com muito bom humor.

É muito gostoso poder acompanhar a cantora relembrar das artes da infância, dos primeiros shows e ensinamentos musicais da adolescência, às aventuras de experimentações românticas e musicais do casal R & R enquanto rodavam pelo Brasil em turnê. Ninguém melhor do que ela mesma para dar uma pitada de acidez e diversão à história da sua própria vida.

Vale por quê: Diversão garantida.

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Foto: Divulgação

Todos os contos
Autora: Clarice Lispector

Todas as épocas literárias de Clarice estão representadas no seu mais completo livro de contos: a juventude e as descobertas e inquietações da vida; o amor matrimonial. A autora passa por estágios que compreendem a vida de qualquer mulher e os descreve de forma que fica impossível não se relacionar com tais sentimentos. Todos os contos de Clarice é acima de tudo um livro bastante feminino e inspirador, o que nos leva a imaginar que é muitas vezes biográfico. Em cada nova história tentamos entender o que se passa por trás da mente que escreve, com quais papeis ela se relaciona e como seria a sua personalidade. Fascinante. O conjunto de textos é uma obra-prima de alguém de muita força e ideias.

Vale por quê: Por cada palavra.

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Foto: Reprodução

Cidade em Chamas
Autor: Garth Risk Hallberg

Cidade em Chamas, o primeiro romance do escritor Garth Risk Hallberg, é intimidador. Primeiro que quando se vê o livro naquelas enormes pirâmides dentro das livrarias o que de imediato chama atenção é o tamanho e o peso da obra. Afinal de contas, são mais de 900 páginas. Porém, não se deixe intimidar por isso e dê uma chance para acompanhar a história da cidade de Nova York nos anos 70 contada através do olhar de William Hamilton-Sweeney III, a ovelha negra da rica família Hamilton-Sweeney e que foge de casa ainda adolescente descontente com mais um casamento do pai.

As primeiras páginas de Cidade em Chamas é justamente o autor narrando a solidão de um quarto escuro e empoeirado em Nova York, enquanto ele observa pela janela as tentativas fracassadas de subir uma árvore de Natal numa das praças da cidade. Mas Cidade em Chamas é muito mais sobre o impacto dos movimentos culturais (o punk rock, a era dos fanzines, as liberdades de uma geração) do que necessariamente sobre a sobrevivência deste personagem sozinho no mundo.

Vale por quê: A leitura é rápida e intensa.

Foto: Reprodução

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Beatlebone
Autor: Kevin Barry

Em 1978, John Lennon foi para uma pequena ilha na Irlanda para uma espécie de terapia enquanto exercitava suas letras e pensamentos sobre o amor, destino e morte (uma viagem ao estilo Magical Mystery Tour). Na vida real, Lennon comprou a ilha em 1967 e a visitou com a sua primeira esposa, Cynthia, e mais tarde com Yoko Ono. Então, Beatlebone é um exercício de imaginação feito pelo autor irlandês, Kevin Barry, sobre o que de fato John Lennon fez na ilha durante esse tempo de hibernação. E podemos garantir: cada página é mais cômica que a outra.

Barry mistura o humor com a melancolia porque o propósito da viagem de Lennon de se encontrar com a natureza e consigo mesmo vai se transformando em uma série de problemas que ele precisa resolver, que o expulsa completamente da rota que ele desejava seguir. E Barry conta essa trajetória de forma tão criativa que é como ele nos oferecesse um pequeno retrato de John Lennon perdido aos 37 anos e tentando se recuperar, mas sem levar isso para um lado tão assim… Sério demais.

Vale por quê: É hilário e engraçado do início ao fim.

Foto: Reprodução

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Homens imprudentemente poéticos
Autor: Valter Hugo Mãe

O novo livro de Valter Hugo Mãe, Homens Imprudentemente Poéticos, é uma daquelas obras que precisa ser lida com calma e respeitando toda a sensibilidade de um autor que consegue falar da morte de uma maneira poética e respeitosa. Ambientado no Japão, Mãe acompanha dois vizinhos que moram no pé de uma floresta onde pessoas de todo o Japão entram sem o intuito de voltar. Itaro e Saburo não se dão bem, vivem em um lugar hostil povoado por criaturas que a qualquer momento podem matá-los e enfrentam o cotidiano de solidão e luto enquanto lutam por sobrevivência rodeados pela imensidão verde da floresta.

Cada frase de Valter Hugo Mãe no livro soa como se estivéssemos na verdade lendo poesia. Às vezes toma um certo tempo para entender o que ele está narrando porque queremos a qualquer custo poder imaginar o que ele está nos dizendo. E, quando conseguimos isso nossa mente traduz com a mesma beleza, suas palavras em imagens vívidas e bonitas que nos dão uma dimensão do quão real é a história que ele nos está contando. É fantástico. Um poder que poucos autores tem.

Vale por quê: Hugo Mãe transforma o onírico em real como nenhum outro autor.

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As letras dos Beatles: A história por trás das canções
Autor: Hunter Davies

Hunter Davies abre o livro declarando que “parece que quanto mais nos afastamos dos Beatles no tempo, maiores eles se tornam”. É verdade. E sabemos que muitos livros já foram feitos explicando as letras dos Beatles, mas talvez nenhum seja tão completo quanto esse organizado e escrito por Hunter Davies. Ele passa por toda a discografia do quarteto de Liverpool, desde Love Me Do até Abbey Road. E o melhor de ir passando pelas canções e descobrir histórias que talvez não conhecíamos, é também ver os rascunhos com as letras escritas, exibindo um pouco do processo criativo da banda (principalmente de John Lennon e Paul McCartney). Também é bom de observar como pouco a pouco a banda foi saindo das letras repetitivas de amor e relacionamento para outras de conteúdo mais político e de relatos do cotidiano. Além das músicas dos discos, Davies passa também por alguns lados Bs, tornando a obra ainda mais completa do que ela já é.

Vale por quê: É uma obra completa sobre todas as letras da banda

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Foto: Reprodução

A Guerra Não Tem Rosto de Mulher
Autora: Svetlana Aleksiévitch

Svetlana Aleksiévitch tornou-se a voz dos acontecimentos políticos e sociais da ex-União Soviética. E mesmo que muita gente tenha tentado sufocar essa voz, seus livros ganharam o mundo e somos completamente fascinados por eles. Aqui escolhemos A Guerra Não Tem Rosto de Mulher, quando escreve sobre os depoimentos ouvidos por ela de mulheres que combateram, sobreviveram à Segunda Guerra Mundial e nunca tiveram suas histórias contadas pela História.

É isso que Svetlana Aleksiévitch faz em cada livro: um trabalho jornalístico de ouvir o que as pessoas que viveram aquele momento têm a contar, tornando cada relato realístico, tocando em uma ferida moral dessa sociedade e cujas vozes estão sendo finalmente ouvidas e conhecidas.

Em A Guerra Não Tem Rosto de Mulher conseguimos visualizar a imagem de Svetlana Aleksiévitch entrando em uma casa para conversar com uma dessas sobreviventes, como se alguém estivesse filmando um documentário sobre o tema e estivéssemos assistindo. São relatos duros na maioria das vezes, mas necessários porque apresenta versões humanas sobre os dramas que essas pessoas reais e comuns sofreram.

Vale por quê: A autora oferece uma visão única e humana sobre os conflitos da ex-União Soviética

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Tempos vividos, sonhados e perdidos
Autor: Tostão

Tostão: Tempos vividos, sonhados e perdidos é um material de crônicas escritas pelo jogador/médico sobre duas grandes paixões da sua vida: o futebol e a medicina. O livro é denso sem passar por uma leitura que tenha por obrigação ser séria ou difícil. Pelo contrário: Tostão fala sobre tática, sobre times inesquecíveis e a maneira como eles jogavam, sobre como o futebol mudou tanto e o Brasil ficou para trás e conta “causos” de bastidores que são maravilhosos. É um livro destinado para qualquer amante do futebol, mas que tem também abertura para quem não se importa tanto com o jogo mas que deseja conhecer um pouco mais desse importante brasileiro.

Vale por quê: Tostão conta histórias deliciosas dos bastidores do futebol.

[Crédito da Imagem de Capa: Reprodução]

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